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Acesso aberto Revisado por pares
Desafio

Qual o Diagnóstico?

What is the Diagnosis?

Jose Mario Baggio1; Joubert Ariel Pereira Mosquera1; Ewandro Luiz Rey Moura1; Luis Gustavo Ferreira Gomes1; Wagner Luis Gali1; Alvaro Valentim Lima Sarabanda1

FIGURAS

Citação: Baggio Junior JM, Mosquera JAP, Moura ELR, Gomes LGF, Gali WL, Sarabanda AVL. Qual o Diagnóstico?. JBAC 32(2):127. doi:10.24207/jca.v32i2.990_PT
 

APRESENTAÇÃO DO CASO

Paciente OG, 62 anos, com cardiomiopatia arritmogênica do ventrículo direito e taquicardia ventricular sustentada mal tolerada, portador de cardioversor desfibrilador implantável (CDI) de câmara única ventricular, retornou assintomático para avaliação de rotina. Não havia registro de arritmias sustentadas, e os limiares de estimulação e sensibilidade foram checados e estavam adequados (Fig. 1). No entanto, diante da telemetria do dispositivo, foi identificada uma falha de sensibilidade de uma extra-sístole ventricular (Fig. 2).

Desse modo, diante da possibilidade de que essa falha pudesse gerar falha de detecção de uma taquicardia ventricular lenta (Fig. 3), o autoganho de sensibilidade do CDI foi modificado, com correção da falha de sensibilidade intermitente da extra-sístole.

 

DISCUSSÃO

Os CDIs, diferentemente dos marcapassos que possuem sensibilidade programada fixa, possuem um autoganho de sensibilidade, chamado SenseAbilityT (Fig. 4) nos geradores da Abbott, cujo objetivo é evitar falha de sensibilidade de eventos ventriculares rápidos e de baixa amplitude. O início da curva de autoganho, chamada decay delay (Fig. 5) nos geradores da Abbott, e a velocidade de aumento de sensibilidade, chamada de threshold start (Fig. 6) nos geradores da Abbott, têm como objetivo evitar a sensibilidade excessiva de ondas T, o que promoveria a detecção inapropriada de uma falsa taquicardia ventricular. No entanto, especificamente neste caso, o autoganho de sensibilidade programado estava promovendo uma falha de sensibilidade ventricular, que foi corrigida com a modificação do threshold start para 50% e do decay delay para 0 ms (Fig. 7).

 

RESPOSTA

A programação da sensibilidade dos CDIs é fundamental, pois, se uma arritmia ventricular não for detectada, não será tratada. Sempre que os parâmetros de um CDI forem modificados para promover maior sensibilidade, deve-se avaliar a possibilidade de sensibilidade excessiva de onda T ou de eventos não cardíacos (por exemplo, miopotenciais do músculo diafragma em eletrodos bipolares integrados, sensibilidade cruzada de ondas P). Sempre que os parâmetros de um CDI forem modificados para promover menor sensibilidade, deve-se avaliar a possibilidade de indução da arritmia clínica do paciente, a fim de se averiguar se há detecção apropriada do evento.

 

REFERÊNCIAS

Ellenbogen KA, Wilko? BL, Kay GN, Lau CP, Auricchio A. Clinical cardiac pacing de?brillation, and resynchronization therapy. 5a ed. Philadelphia: Elsevier; 2017. Link DOI
Barold SS, Stroobandt X, Sinnaeve AF. Cardiac pacemakers step by step. Chichester: Wiley-Blackwell; 2004.

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