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Editorial

Da Presidência do Deca-SBCCV Pronto para Decolar

Da Presidência do Deca-SBCCV Pronto para Decolar

Roberto Costa




Há exatos dois anos recebemos o convite para integrar a chapa da situação que iria disputar as eleições para o biênio 2002/2003. Para minha surpresa, os colegas me escolheram para, novamente, ocupar o posto de Presidente, que eu já havia ocupado dez anos antes.

Deixando de lado a honra que representaria para mim, servir novamente à nossa coletividade, sabíamos que a futura gestão reservava enormes desafios e que os principais deles seriam:

1) consolidar o processo de aproximação com o Daec, sem criar arestas com nossa sociedade mãe, a SBCCV;

2) reorganizar a estrutura administrativa e contábil de nosso Departamento;

3) reformar seu Regimento Interno, adequando-o à realidade atual;

4) reformular o RBM, incluindo as novas tecnologias de desfibriladores e multisítio;

5) viabilizar a Reblampa, que se encontrava em grave crise financeira;

6) criar uma estrutura de cursos que permitissem capacitar médicos e demais profissionais em indicação, implante e seguimento dos diversos tipos de aparelhos que manuseamos;

7) reorganizar nossas listas de procedimentos e compatibilidade de próteses nas tabelas SUS e da AMB, reorganizando seus valores relativos em relação a outros procedimentos.

Para atingir metas tão audaciosas tínhamos a plena consciência de que necessitaríamos de uma equipe unida e obstinada. Como os problemas a serem resolvidos eram muitos e distintos, criamos grupos de trabalho:

1) os problemas contábeis e fiscais ficaram com o Amauri, o Vicente e o Waldemiro. Esse trabalho foi muito difícil e exigiu muita paciência uma vez que, desde a formação da ABEC, jamais havia sido entregue declaração de Imposto de Renda e a maior parte dos tributos não havia sido recolhida. Hoje a contabilidade está absolutamente em dia, com todas as declarações de Imposto de Renda entregues, os livros contábeis auditados e todos os impostos em atraso já liquidados.

2) A reestruturação do Registro Brasileiro de Marcapassos ficou para o Pachón e para mim. Apesar de ter sido criada a Portaria do Ministério da Saúde, que instituiu em 1999 o Registro de Desfibriladores e de Marcapassos Multisítio, não existia o banco de dados para registro e manuseio das informações. O resultado final do trabalho foi excelente: o formulário de coleta foi unificado; a portaria do Ministério da Saúde foi re-publicada, criando um Registro Único para Marcapassos, Desfibriladores e Ressincronizadores; o programa de computador foi totalmente reformulado, permitindo cadastrar os novos formulários sem perder as informações antigas e, no novo formato do Banco de Dados, os cadastros de geradores de pulsos e de eletrodos passaram a ser cuidados diretamente pelos fabricantes, que o fazem diretamente através do nosso portal na Internet.

3) Coube ao Martino a incumbência de auxiliar-me no processo de aproximação com o Daec, assim como o de trabalhar junto com o Álvaro, na elaboração do Programa Nacional de Ensino. A integração entre os dois departamentos foi tão intensa, e nesse sentido é indispensável destacar a participação do Ayrton - Presidente do Daec - que a lista de objetivos atingidos foi enorme: foram realizados dois Congressos Brasileiros de Arritmias, quatro diferentes cursos continuados (Curso de Acreditação para Médicos e Profissionais Aliados, Curso para Implante de Ressincronizadores, Curso para Programação de Cardiodesfibriladores e o Programa Nacional de Ensino em Utilização de Marcapassos - PRONE. Os três primeiro, realizados no InCor de São Paulo e o último, itinerante), as Diretrizes Brasileiras para Tratamento da Fibrilação Atrial, um Fórum sobre Doença de Chagas e o projeto piloto da Campanha Nacional da Prevenção da Morte Súbita Cardíaca, que contou com a inestimável colaboração do Paulo Gauch.

4) O Luiz Castilho desempenhou um papel fundamental na gestão. Além de, como ex-presidente, indicar e participar na condução dos problemas diagnosticados na gestão anterior, como Presidente do Conselho Deliberativo conduziu com muita determinação a Reformulação do Regimento Interno, coordenou o processo do exame para membros habilitados e especialistas e ainda coordenou o primeiro PRONE. A reformulação do Regimento Interno permitiu solucionar vários problemas crônicos do Departamento, como facilitar, porém com muita qualidade, o acesso de membros habilitados e especialistas e regularizar a situação de membros inadimplentes. Juntamente com seus colegas de Conselho - Eloy, Haroldo, Malan e Takeda - todos os pedidos de ascensão de categoria foram analisados.

5) Ao Hélio e ao José Carlos de Andrade ficou a incumbência de viabilizar a Reblampa. Após minuciosa análise da situação, foi possível manter a revista sem perda da sua continuidade.

A condução dos trabalhos de defesa profissional ficou por conta do Lucchese que, auxiliado pelo Amauri e por mim, manteve reuniões com a AMB e o Ministério da Saúde. Os frutos desse trabalho provavelmente serão colhidos no final desta gestão, ou no início da próxima. A partir de novembro do ano passado, o Ministério da Saúde decidiu reorganizar a assistência em Alta Complexidade Cardiovascular, implantando Redes Estaduais e/ou Regionais com essa finalidade. O Deca foi convidado a participar dessa reformulação, processo que ainda está em andamento e que somente será concluído na próxima gestão.

Outras conquistas muito importantes também foram obtidas e certamente uma delas foi a criação, junto com o Daec, do Portal de Arritmias Cardíacas da WEB, que substituiu as páginas do Deca e do Daec. Esse portal, que pode ser acessado tanto pelo endereço do Deca (www.deca.org.br) quanto pelo endereço do Daec (www.daec-sbc.org.br), permite acessar de maneira unificada informações sobre nossos congressos, cursos, diretrizes, Reblampa, dados do RBM, informações sobre geradores e eletrodos. Por outro lado, manteve a individualidade de ambos os departamentos para cuidar das informações relacionadas às tesourarias e secretarias.

Com esse trabalho concretizado torna-se muito mais fácil planejar o futuro. Para tanto estamos iniciando um ciclo de debates para definição de um plano de metas para os próximos cinco anos:

1) é fundamental continuar o processo de aproximação com o Daec, e esse trabalho passa por uma profunda discussão com a SBCCV.

2) A expansão de nossos objetivos para a América Latina deve ser perseguida, para propiciar o crescimento de nossos congressos e aumentar nossa capacidade de produção científica.

3) Criar novas formas de auto-sustentação que não apenas o RBM, idealizado e implementado em nossa gestão no biênio 1992/1993 e que, até o início da atual gestão, era a única fonte real de financiamento do Departamento. Hoje, contamos, também, com nossa participação nos lucros auferidos pelo Congresso Brasileiro de Arritmias e logo iniciaremos a venda dos CDs com as aulas do PRONE.

É difícil avaliar, para quem está de fora, o tempo dispensado para desenvolver a quantidade e diversidade de tarefas que foram iniciadas e concluídas na atual gestão, por isso tomei o cuidado de citar nominalmente cada um dos colegas que trabalharam pelo sucesso da mesma.

Temos o sentimento claro do dever cumprido. Todo o trabalho de base está feito. Vemos o nosso Departamento, hoje, como um avião abastecido, pronto para decolar; e tenho certeza de que a nova diretoria dará continuidade ao planejamento estratégico que já foi elaborado.


Roberto Costa
Presidente do Deca-SBCCV

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