105
Visualizações
Acesso aberto Revisado por pares
Relato de Caso

Eletrocardiografia Dinâmica-Holter

Eletrocardiografia Dinâmica-Holter

Fábio Sandoli de BRITOI, Fábio Sandoli de BRITO JUNIORI

COMENTÁRIOS

Uma das indicações clássicas do Holter é a avaliação de sintomas como as palpitações de início e término súbitos, de curta duração ou mais prolongadas e que necessitam de intervenção terapêutica. Nas gravações com duração de 24 horas ou mais obtidas desses pacientes, em cerca de 25% dos casos surpreendemos episódios de taquicardia paroxística supraventricular (TPSV), sintomáticas ou não. A análise detalhada dos paroxismos quanto ao seu início, seu término e à relação P/QRS/P', em 50% dos casos permite determinar com grande probabilidade de acerto os mecanismos envolvidos na gênese e na manutenção da TPSV. Esses dados são de grande utilidade para o planejamento terapêutico, incluindo informações muito úteis no caso de ablação por rádio-freqüência, como no presente exemplo em que o Holter fortemente sugeriu a presença de duas vias anômalas de condução.


Figura 1 - J. C. S., do sexo masculino, 36 anos de idade, com queixas de palpitações, por vezes prolongadas e com início e término súbitos. Não houve documentação eletrocardiográfica de arritmia. Em A, o "módulo unitário" da arritmia deste paciente. Após o 42 complexo ORS, ocorre um batimento aberrante precedido por uma onda P ectópica que deforma a onda T do batimento sinusal precedente. Trata-se, portanto, de uma extrassístole atrial aberrante que, após estimular os ventrículos, retorna aos átrios por uma via anômala, gerando uma onda P' retrógrada, com intervalo RP'longo. Esta onda P'desce para os ventrículos pelo nó atrioventricular e resulta em ORS normal (batimento recíproco ou eco). Em B, o fenômeno se repete porém, após o 12 batimento recíproco, o ciclo de reentrada se mantém e instala-se a TPSV reciprocante.


Figura 2 - Mesmo paciente da Figura 1. Em traçado de 14 segundos de duração, exemplo de um dos paroxismos registrados durante a gravação.
Notar o batimento aberrante que inicia a taquicardia e a irregularidade dos intervalos RR na metade final do evento.



Figura 3 - Mesmo paciente das Figuras 1 e 2. A e B são medidas computadorizadas de ciclos de TPSV. Após o início do paroxismo supraventricular, estabelece-se um ritmo em que os complexos QRS se sucedem aos pares com intervalos RR de 470 ms (em A) e de 605 ms (em B). Isto ocorre muito provavelmente pela alternãncia de intervalos RP'de 380 ms (10 ciclo) e RP'de 515 ms (20 ciclo), sugerindo fortemente a presença de duas vias anômalas ventrículo-atriais de condução mantendo o circuito de reentrada.












I. Diretor Médico da Unidade de Cardiologia Preventiva do PROCORDIS - SP.
II. Médico Cardiologista do Instituto do Coração da FMUSP.

Endereço para correspondência:
Rua João Moura, 647 - Conj. 193/194
CEP: 05412-001 - SÃO PAULO - SP - Brasil

© Todos os Direitos Reservados 2019 - Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular