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RBM

REGISTRO BRASILEIRO DE MARCAPASSOS: RESULTADOS PRELIMINARES - Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial (Deca)

REGISTRO BRASILEIRO DE MARCAPASSOS: RESULTADOS PRELIMINARES - Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial (Deca)

Roberto COSTAI, Maria Inês de Paula LEÃOII

INTRODUÇÃO

O Registro Brasileiro de Marcapassos (RBM) é uma base de dados nacional que conta com a participação do Deca, do Ministério da Saúde e dos fabricantes de marcapassos. Tem por objetivo coletar informações a respeito dos procedimentos cirúrgicos realizados em pacientes que utilizem a estimulação cardíaca artificial permanente1-3.

A Revista Brasileira de Marcapasso e Arritmia (Rebrampa), com a finalidade de manter a comunidade médica, as autoridades sanitárias e os fabricantes de marcapasso informados sobre os resultados obtidos pelo RBM, publicará em suas edições regulares, os resultados obtidos no quadrimestre que antecede a publicação. Os dados serão apresentados em tabelas e gráficos, e analisados sumariamente.

Neste fascículo estamos apresentando apenas as informações referentes aos meses de junho, julho e agosto, para que, a partir da próxima edição, apresentemos as estatísticas referentes aos quadrimestres setembro-dezembro, janeiro-abril, maio-agosto e assim sucessivamente.


CASUÍSTICA

No período de 01/06/94 a 30/09/94 foram realizados 1936 procedimentos cirúrgicos relacionados à estimulação cardíaca artificial, segundo as informações registradas nos formulários enviados por 116 hospitais e preenchidos por 217 médicos diferentes. Destes, 1348 (70,91 %) foram implantes iniciais, 445 ( 23,41 %) reoperações e em 108 (5,68%) foi informado dado não disponível. Em 35 formulários o campo motivo da operação não foi preenchido. (Tabela I e Figura 1). O Fechamento do Arquivo foi referido em 2 formulários (0,1%), um por transplante cardíaco e o outro por morte relacionada ao marcapasso (Tabela II).




Figura 1 - Motivo principal para a operação dos pacientes




IMPLANTES INICIAIS

Nos 1348 casos de implante inicial, nota-se a predominância do sexo masculino (54,0%) e da raça branca (77,6%). (Tabelas III e IV/Figuras 3 e 4). O implante de marcapasso foi justificado por sintomas de hipofluxo cerebral em 74,5% dos pacientes (Tabela V e Figura 5), embora 84,5% dos enfermos também apresentassem insuficiência cardíaca congestiva (Tabela VI e Figura 6). O achado eletrocardiográfico predominante foi bloqueio atrioventricular total (56,8% dos pacientes). Bloqueio AV do 2º grau foi referido em 14,4%, disfunção do nó sinusal em 12,6% e f1utter ou fibrilação atrial de baixa resposta ventricular em 6,9% dos casos. (Tabela VII e Figura 7). A Doença de Chagas foi a etiologia predominante (32,4%), seguida por fibrose do sistema de condução (21,5%) e etiologia desconhecida (17,5%). Dado não disponível foi referido em 5,95% dos formulários. (Tabela VIII e Figura 8). Implante de marcapasso ventricular foi realizado em 82,0% dos pacientes, atrioventricular em 17,0% e atrial exclusivo em 1,0% dos pacientes. (Tabela IX e Figura 9).






Figura 3 - Sexo dos pacientes submetidos a implantes iniciais


Figura 4 - Raça dos pacientes submetidos a implantes iniciais




Figura 5 - Quadro clinico que indicou o implante de marcapasso inicial




Figura 6 - Classificação funcional para Insuficiência Cardiaca Congestiva dos pacientes submetidos a implante inicial




Figura 7 - Achado eletrocardiográfico que justificou o implante de marcapasso inicial




Figura 8 - Etiologia do Distúrbio da Condução que indicou o implante de marcapasso inicial.




Figura 9 - Tipos de marca passo utilizados nos implantes iniciais.



REOPERAÇÕES

Dos 553 casos de reoperações informados, 43,8% ocorreram por problema no gerador de pulsos. Dado não disponível foi referido em 19,5% e outro motivo não codificado em 15,6% dos casos. (Tabela X e Figura 10). No grupo dos pacientes submetidos a reoperação, o tempo transcorrido entre o implante inicial e o procedimento presentemente relatado variou de 1 mês a 21 anos com média de 8,28 anos (Tabela XI). A substituição do gerador de pulsos foi informada em 71,3% dos casos. A principal causa de troca do gerador foi esgotamento por fim de vida, em 52,04%. Em 18,7% dos pacientes a troca de gerador não foi realizada. Dado não disponível foi referido em 10% dos casos. (Tabela XII e Figura 12). A substituição de eletrodo atrial foi informada em apenas 12 pacientes (2% das reoperações) e substitução de eletrodo ventricular foi referido em 70 pacientes (12,9% das reoperações ). Aumento do limiar (3,9%) fratura de condutor (3,4%) e defeito do isolamento (13,0%) foram as principais causas de troca de eletrodo. (Tabela XIII e Figura 13).




Figura 10 - Motivo principal para a reoperação






Figura 12 - Motivo para a troca do gerador




Figura 13 - Motivo para a troca do eletrodo



COMENTÁRIOS

O papel da informática no manuseio de grandes volumes de informação é amplamente conhecido, permitindo rapidez na análise dos dados e na tomada de decisões. Tem sido demonstrado, entretanto, que a maior dificuldade da informatização de projetos multicêntricos não reside no desenvolvimento dos programas, no processamento ou na análise dos dados, mas, na coleta das infomações4. Desde o início nossa preocupação foi, portanto, o engajamento dos médicos e hospitais no RBM.

Acreditamos que os resultados iniciais do RBM são muito animadores. Pode-se verificar que 116 hospitais cadastrados e 217 médicos estão participando, o que confirma a aderência desses setores ao projeto.

Causam preocupação a grande incidência de campos deixados em branco, assim como do assinalamento de campos como dado não disponível e outro motivo não codificado, principalmente nos casos de reoperação. Esperamos minimizar esse problema com orientações específicas sobre os campos de cadastramento onde esse tipo de problema tem sido detectado mais freqüentemente.

Acreditamos que com o passar do tempo, com o aumento do número de casos e a melhora progressiva da qualidade da coleta, análises regionais e específicas poderão ser realizadas. Com elas, o Deca e o Ministério da Saúde poderão rever a política de saúde na área da estimulação cardíaca artificial e auxiliar médicos e populações no combate às doenças do sistema de condução.

A grande prevalência dos bloqueios atrioventriculares e dos pacientes sintomáticos verificados nessa primeira análise, podem dar idéia de quanto o RBM poderá ajudar a população de pacientes que dependem de marcapasso.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 COSTA, R. & LEÃO, M. I. P. - Registro Brasileiro de Marcapassos. Rev. Bras: Marcapasso e Arritmia, 6(1):31-4,1993.

2 COSTA, R & LEÃO, M. I. P. - Implantação do Registro Brasileiro de Marcapassos. Rev. Bras. Marcapasso e Arritmia, 7(1):2-3,1994.

3 LEÃO, M.I. P.; COSTA, R; LATINI, R. - Registro Brasileiro de Marcapassos: Orientação para preenchimento do formulário. Rev. Bras. Marcapasso e Arritmias, 7(2):72-7,1994.

4 LEÃO, M.I. P. -Informática médica. Arq. Bras. Cardiol., 57(2):89-91,1991.








I. Doutor em Cirurgia pela FMUSP e Coordenador do Registro Brasileiro de Marcapassos - RBM.
II. Médica Coordenadora do Registro Brasileiro de Marcapassos - RBM.

Endereço para correspondência:
Av. Brigadeiro Luiz Antonio, 4268
São Paulo - SP -CEP: 01402-002

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