258
Visualizações
Acesso aberto Revisado por pares
Relato de Caso

Eletrocardiograma de Marcapasso

Eletrocardiograma de Marcapasso

Paulo de Tarso Jorge MEDEIROSI, Ruberval Rodrigues SANTOSII

Analisaremos o Holter de um paciente portador de um marcapasso DDD Biotronik Diplos 06, implantado devido a uma doença do nó sinusal e alteração da condução AV. Após o implante, o paciente referiu palpitações freqüentes, sendo então submetido a um Holter de 24 horas, já que na avaliação de rotina não foi possível detectar uma disfunção do MP ou uma arritmia que justificasse o sintoma relatado.

O marcapasso estava programado da seguinte maneira:

Freqüência mínima de estimulação: 70 ppm Freqüência máxima de estimulação: 120 ppm Intervalo AV "pace" 250 ms e "sense" 225 ms Energia atrial e ventricular de 4,8 Volts e 0,5 ms Sensibilidade atrial 0,8 mV e ventricular 2,4 mV Polaridade de estimulação e sensibilidade: unipolar Período refratário atrial 425 ms e ventricular 300 ms Intervalo A V dinâmico: OFF
Blanking ventricular: 24 ms
"Safety" intervalo A V: 150 ms
Dupla demanda e modalidade A VT: OFF


O traçado de Holter da Figura 1, realizado em 2 canais, mostra os dois primeiros complexos, com estimulação atrial (A) produzindo a onda P e condução atrioventricular pelas vias normais do paciente, sendo o intervalo de pulso AA a freqüência mínima de estimulação. O terceiro complexo é uma deflagração ventricular (V), seguida por uma estimulação atrioventricular (A e V), voltando os complexos subseqüentes a terem estimulação atrial (A) e condução pelas vias normais. O quinto, sexto e oitavo complexos QRS são acompanhados de pseudofusão ventricular.


Figura 1



COMENTÁRIOS

Ocorre que, apesar do período refratário atrial de 425 ms, o circuito atrial detecta o QRS e o interpreta como uma atividade atrial. Em seguida, alonga o intervalo AV para manter a freqüência máxima programada e deflagra em ventrículo (V). Como o MP Oiplos 06, programado em DDD, cicia pelo intervalo AA, a espícula atrial (A) faz o intervalo de freqüência mínima a partir do QRS sentido inadeqüadamente pelo circuito atrial, ocorrendo então a espícula atrial na onda T. Essa alteração, que era o motivo das palpitações relatadas pelo paciente, pôde ser corrigida pela programação para o modo AAI de estimulação, já que o paciente apresentava uma condução AV alterada, porém aceitável. Entretanto, esse distúrbio na condução AV (Ponto de Wenckebach de 110 bpm) requer um acompanhamento constante do paciente em clínica especializada. No caso de impossibilidade de programarse o modo AAI, uma redução do intervalo AV solucionará esta alteração, que está relacionada ao intervalo AV longo. Este comportamento é próprio deste tipo de gerador e só ocorre quando o intervalo AV programado é >=
250 ms e ocorre estimulação atrial simultânea.









I. Chefe da Seção de Diagnóstico Computadorizado do Serviço Médico de Estimulação Cardíaca Artificial do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.
II. Médico Responsável pela Clínica RITMOCOR de Uberlândia.

Endereço para correspondência:
Av. Dante Pazzanese, 500 - Ibirapuera
São Paulo - SP - Brasil - CEP: 04.012-180
Fone: 549.1144.

© Todos os Direitos Reservados 2019 - Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular