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Relato de Caso

Eletrocardiografia Dinâmica - Holter

Eletrocardiografia Dinâmica - Holter

Fábio Sandoli de BRITOI, Fábio Sandoli de BRITO JUNIORII

COMENTÁRIOS

As indicações clássicas do Holter incluem a investigação de casos suspeitos de angina vasoespástica, de angina noturna e aqueles com dor sugestiva de isquemia miocárdica, porém com ECG, teste de esforço e ecocardiograma normais.

Nesses casos, como no exemplo relatado nas Figuras 1 e 2 são freqüentemente surpreendidas severas alterações eletrocardiográficas, como os supradesnivelamentos do segmento ST, acompanhados ou não de dor típica (isquemia sintomática e isquemia silenciosa). Usualmente os episódios ocorrem durante o sono. Os achados cinecoronariográficos variam desde coronárias normais (angina vasoespástica) a lesões moderadas ou graves (angina mista). Os achados do Holter são decisivos na conduta terapêutica e as reavaliações subsequentes permitem tanto aferir a eficácia das drogas, como adequar de forma precisa a posologia e os intervalos de administração das mesmas.


Figura 1 - Gráfico do segmento ST correspondente á derivação MC5, onde se veêm o traçado da freqüência cardíaca (FC) e o sumário das alterações do segmento ST, extraídos do Holter 24 horas de um paciente com queixa de dor nos pulsos e na mandíbula, sem relação com atividades físicas. ECG convencional, teste de esforço e ecocardiograma normais. Realizado o Holter na tentativa de documentar o momento da ocorrência do sintoma para afastar ou confirmar sua origem coronária. No gráfico superior ocorrem múltiplos picos verticais indicativos de supradesnivelamento do segmento ST no canal 2. A análise automática computadorizada quantificou-os em 17 episódios com duração total de 41.2 mino Na porção final do gráfico, entre 16:00 e 17:00 h, vemos o pico mais alto, cujo traçado compõe a Figura 2. O gráfico da FC não mostra variações significativas, acompanhando os picos de supradesnivelamento. De acordo com as informações do diário, em apenas três dos episódios houve referência ao sintoma que motivou o exame. A cinecoronariografia mostrou obstrução moderada da artéria circunflexa (70%), com os demais vasos normais. Os achados foram interpretados como dependentes de angina mista, com importante componente vasoespástico, conforme sugere o grande número de episódios isquêmicos durante o sono noturno. A realização de angioplastia eliminou os sintomas e novo Holter realizado no seguimento foi normal.


Figura 2 . Traçados 1, 2 e 3 com 14 seg de duração, extraídos do Holter do paciente da Figura 1 Em 1. início do episódio mais intenso de supradesnivelamento do segmento ST, conforme facilmente se identifica ao comparar os primeiros e os últimos complexos na derivação do canal 2 (MC5). No canal 1 (MC2) o posicionamento do segmento ST é estável. Em 2, traçado correspondente à maior elevação do segmento ST, com a morfologia eletrocardiográfica típica de lesão subepicárdica. Em 3, o final do episódio, com o segmento ST praticamente na linha de base nos quatro últimos complexos. Esses eventos correspondem ao pico mais alto do gráfico ST da Figura 1 e tiveram três minutos de duração.










I. Diretor Médico da Unidade de Cardiologia Preventiva do PROCORDIS - SP.
II. Médico Cardiologista do Instituto do Coração da FMUSP.

Endereço para correspondência:
Rua João Moura, 647 - Cj. 193/194
São Paulo - SP - Brasil - CEP: 05412-001

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