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Relato de Caso

Eletrocardiograma de Marcapasso

Eletrocardiograma de Marcapasso

Paulo de Tarso Jorge MEDEIROSI

A grande maioria das taquicardias por reentrada eletrônica (TRE), iniciam-se devido a uma condução ventrículo-atrial (VA). Para que ela se inicie, a onda P retrógrada deve cair fora do período refratário atrial. Discutiremos o ECG (derivação DII) de um marcapasso DDD programado em: 72 ppm de freqüência básica e 100 ppm de freqüência máxima, intervalo AV de 200 ms e período refratário atrial total de 500 ms, tornando o período refratário atrial pós evento ventricular de 300 ms.

Neste caso em particular, a etiologia da TRE é uma falha de comandando atrial. Na Figura 1, nos dois primeiros complexos, vemos espícula atrial comandando e pseudo-fusão ventricular. Nos quatro complexos seguintes, vemos falha de comando atrial e comando ventricular (QRS eletro-estimulados). Como a freqüência de estimulação ventricular é discretamente superior às ondas Ps, a partir do 6º complexo QRS ocorre condução VA (*) e inicia-se a TRE com 100 ppm de freqüência.


Figura 1



A Figura 2 mostra que colocando-se o ímã sobre o gerador, tornando-o DOO na freqüência programada, cessa a TRE apesar de persistir a onda P retrógrada, que não é visualizada ao ECG por estar dentro da onda T.


Figura 2



A prova da persistência da onda P retrógrada é mostrada na Figura 3, onde retirando-se o ímã reaparece a TRE.


Figura 3


A Figura 4 mostra a programação correta de período refratário atrial e do intervalo AV para este paciente, isto é, PRA total de 500 ms, sendo o intervalo AV de 175 ms, tornando o PRA pós evento ventricular de 325 ms. Após falha de comando atrial, nítida no 4º complexo não ocorre TRE. Neste caso particular, podemos afirmar que, a condução VA situa-se entre 300 e 325 ms após o estímulo ventricular.


Figura 4











I Chefe da Seção de Diagnóstico Computadorizado do Serviço Médico de Estimulação Cardíaca Artificial do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.

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