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Acesso aberto Revisado por pares
Relato de Caso

Estimulação Cardíaca

Estimulação Cardíaca

Antonio Vitor MORAES JUNIORI, Albert Amin SADERII

J.M.T., 57 anos, do sexo masculino, era portador de megaesôfago grau III. Em 08/11/82 submeteu-se a esofagectomia subtotal, com reconstrução do trânsito alimentar por transposição gástrica mediastinal posterior e anastomose esôfago-gástrica cervical. Relatava episódios de palpitação de início e término súbitos há 4 anos. Em 04/12/92, em decorrência desta sintomatologia, realizou-se a estimulação cardíaca "transgástrica", com a mesma metodologia utilizada no estudo eletrofisiológico transesofágico. O limiar de comando atrial foi de 8 Volts de amplitude, com 5 milisegundos de largura do pulso. O diagnóstico de dupla via nodal (reentrada intranodal) foi firmado com estimulação atrial progressiva, programada e, durante a taquicardia, pela análise dos parâmetros habitualmente utilizados.


Figura 1 - Traçado demonstrando 8 estímulos atriais com freqüência fixa. Os 7 primeiros foram conduzidos exclusivamente pela via lenta (alfa). com provável captura retrógrada da via rápida (beta). O 8º estímulo foi conduzido pela via beta.



COMENTÁRIOS

A estimulação cardíaca "transgástrica", excepcionalmente utilizada neste caso e até então não descrita, coloca em evidência a formação de campo elétrico local, como a hipótese mais provável para o êxito da estimulação. A extensa desnervação do estômago durante o procedimento cirúrgico realizado, com secção total dos nervos vagos, podendo ter permanecido apenas possíveis remanescentes nervosos trazidos conjuntamente com as artérias pilórica e gastroepiplóica direita, torna a hipótese da condução nervosa menos provável.

Apesar das dimensões da câmara gástrica, o limiar de estimulação foi relativamente baixo, sugerindo que, diferentemente do que se observa em casos de megaesôfago, a impedância parietal à estimulação foi de pequena magnitude.


CONCLUSÃO

Embora se trate de um exemplo isolado, este caso demonstrou que é possível a estimulação atrial para estudos eletrofisiológicos não-invasivos, através do estômago transposto cirurgicamente até o mediastino posterior.










I Médico Assistente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP)-SP. Depto. de Cirurgia Torácica e Cardiovascular.
II Professor Titular. Chefe da Disciplina de Cirurgia Torácica e Cardiovascular da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP)- SP.

Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP.

Correspondência:
HCRP - Campus Monte Alegre
CEP: 14048-900 - Ribeirão Preto - SP

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