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Editorial

Discurso de Abertura do 25º Congresso Brasileiro de Arritmias Cardíacas - Sobrac/Deca - Salvador - BA - 2008

Discurso de Abertura do 25º Congresso Brasileiro de Arritmias Cardíacas - Sobrac/Deca - Salvador - BA - 2008

Henrique Wolfgang Besser



Quero agradecer o honroso convite de presidir a conferência de abertura deste 25º Congresso Brasileiro de Arritmias Cardíacas em um dia tão especial, que dá início às comemorações das "bodas de prata" dos encontros sobre arritmias cardíacas no Brasil.

O 1º Congresso foi realizado no Rio de Janeiro, em 9 de novembro de 1984, no antigo Hotel Meridien, em Copacabana, tendo sido designado Simpósio Brasileiro de Arritmias Cardíacas. O sucesso do evento foi garantido pela excelência das palestras proferidas pelos 28 conferencistas vindos de diversos estados do país e pela participação intensa da platéia constituída por 300 cardiologistas. Também foi decisivo o apoio da indústria farmacêutica (laboratórios Knoll, Sarsa e Barrène) e de marcapassos (temos adotado a grafia marcapassos) artificiais (Medtronic e Cardiobrás).

Os conferencistas foram presenteados com uma calculadora eletrônica, que representava o desenvolvimento tecnológico que, por nossas mãos, estaria por vir. Às esposas foi oferecido um porta-jóias de porcelana em forma de coração, simbolizando a amizade que doravante passaria a nos unir. Eu trouxe as relíquias originais que, junto com o pôster de anúncio do Simpósio e o histórico do Departamento de Arritmias, registrado no livro comemorativo dos 50 anos da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), farão parte do Museu da Arritmia, que iremos inaugurar futuramente.

Na ocasião, foi constituído o Grupo de Estudos de Arritmias Cardíacas e Eletrofisiologia Clínica, sob a égide da SBC, que evoluiu posteriormente para Departamento de Arritmias Cardíacas e, mais recentemente, Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac).

Neste momento, não posso deixar de agradecer aos mestres brasileiros e do exterior, com quem aprendemos e praticamos a arte de lidar com as arritmias cardíacas, entre eles Bernard Lown, Seymour Furmann, Guy Fontaine, Gerard Daudinot, Leonard Horowitz, Massood Aktar, Waldo e tantos outros. Destaco especialmente Hein Wellens e Pedro Brugada, que prepararam a maior parte dos eletrofisiologistas que hoje atuam no Brasil. A eles devemos o plantio das sementes que germinaram e deram frutos ao longo destes anos, por meio da criação de inúmeros novos centros de arritmias cardíacas em todo país.

Devo destacar ainda aqueles que, mediante esforço e talento próprios, igualmente atingiram a plenitude, sem necessariamente realizar um treinamento no exterior, participando ativamente do intenso e crescente intercâmbio internacional.

Credito à indústria médica de equipamentos eletrônicos, cateteres e outros devices, os méritos pela disponibilização de instrumental constantemente aperfeiçoado, necessário para suprir as exigências da contínua evolução da tecnologia e do conhecimento humano, permitindo-nos crescer até estar entre os melhores do mundo. Muitas vezes chegamos a ficar inebriados com tanta sofisticação tecnológica a nossa disposição, porém não devemos esquecer jamais de que não tratamos de arritmias, mas de pacientes com arritmias.

Finalizando, gostaria de dizer que "no perde e ganha da vida", poucos são os momentos de glória e grande regozijo, por isso devemos comemorá-los efusivamente. São momentos mágicos, cujo sabor torna-se ainda mais especial quando compartilhados com os amigos. O grande sonho de criar uma sociedade atuante, competente, próspera e moderna, a serviço dos pacientes, com a ajuda de Deus, concretizou-se, e por isso estamos todos de parabéns!


Dr. Henrique Wolfgang Besser
Professor Associado de Cardiologia
Faculdade de Medicina da UFRJ

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